José Medeiros acusa Alexandre de Moraes de 'má-fé' no travamento da Ferrogrão e defende impeachment
Publicado em 27/07/2026 por Rádio Nova FM
Deputado e candidato ao Senado por MT afirma que paralisação gerou prejuízos ao agronegócio e critica o acúmulo de papéis do ministro no STF.
CUIABÁ — O deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso, José Medeiros (PL-MT), subiu o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante coletiva de imprensa realizada na sede do PL no último dia 22 de julho ocasião em que sua candidatura foi oficializada, o parlamentar acusou o magistrado de agir com "má-fé" ao manter paralisado o projeto de concessão da Ferrogrão por divergências políticas.
Segundo Medeiros, a conduta de Moraes extrapolated os limites constitucionais e causou sérios prejuízos à competitividade do agronegócio brasileiro, afetando diretamente o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste rumo aos portos do Norte.
Alegação de contradição e divergência política
Para fundamentar a acusação de má-fé, Medeiros relembrou o histórico do ministro no Poder Executivo. O deputado ressaltou que Moraes participou da elaboração da Medida Provisória que tratava da Ferrogrão quando chefiava o Ministério da Justiça, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer. No entanto, ao assumir a relatoria do caso no STF, teria mantido o processo retido.
"A nossa Ferrogrão, que vai tornar os nossos produtos competitivos, ajudar no escoamento e baratear o frete, ficou cinco anos dentro da gaveta do ministro Alexandre. E, no caso ali, má-fé pura. Porque ele era o ministro da Justiça do Temer, participou da Medida Provisória que liberava a Ferrogrão e depois, porque era Bolsonaro ali, recebe uma medida e fica com esse negócio dentro da gaveta", declarou o parlamentar.
Medeiros criticou ainda o que considera uma sobreposição de papéis do magistrado, afirmando que Moraes atua simultaneamente como juiz e acusador, o que geraria insegurança jurídica e afastaria investimentos privados do país. Diante disso, defendeu que o Senado cumpra seu papel de fiscalização e pauta pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte que descumprirem o devido processo legal.
O histórico da Ferrogrão e o novo nó burocrático
Projetada para conectar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), às margens do Rio Tapajós, a Ferrogrão prevê 933 quilômetros de extensão para consolidar o escoamento pelo Arco Norte.
A paralisação no STF ocorreu no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) sobre a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA). Embora o plenário da Corte tenha validado a lei do parque em maio de 2026 e liberado o projeto, os anos de suspensão desencadearam um novo impasse financeiro no Governo Federal.
| O Impasse nos Estudos Técnicos | Detalhes |
| Origem do estudo | Elaborado em 2014 pela Estação da Luz Participações (EDLP). |
| Motivo da defasagem | Anos de suspensão judicial exigiram a atualização do escopo técnico. |
| Valor cobrado pela empresa | R$ 172,9 milhões pelo ressarcimento dos projetos revisados. |
| Teto fixado pelo Governo (AGU/Transportes) | R$ 58,17 milhões (valor de 2016 corrigido pelo IPCA). |
Com a recusa do Ministério dos Transportes e da Advocacia-Geral da União (AGU) em pagar o montante solicitado pela empresa, o empreendimento enfrenta agora um impasse orçamentário para dar sequência aos novos leilões e estudos de viabilidade.
