Mesmo atrás das grades, liderança comandava esquema milionário: Operação Replay expõe império oculto de facção em MT, SC e RJ
Publicado em 30/07/2026 por Rádio Nova FM
Com patrimônio milionário em Balneário Camboriú e Cuiabá, organização criminosa driblava investigações anteriores e continuava movimentando dinheiro por meio de laranjas e trocas constantes de aparelhos na cadeia.
Nem mesmo as trancas de um presídio de segurança máxima foram suficientes para cessar a influência e o fluxo financeiro de uma das principais organizações criminosas de Mato Grosso. Na manhã de quarta-feira (29/07), a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), deflagrou a Operação Replay, um duro golpe estrutural que mirou o núcleo de comando, laranjas e a blindagem patrimonial do grupo.
A ação resultou no bloqueio judicial de até R$ 15,324 milhões em contas bancárias e no sequestro de um patrimônio estimado em R$ 17,3 milhões. Ao todo, foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca, apreensão e quebra de sigilos contra 14 suspeitos. As diligências foram executadas simultaneamente em Cuiabá, Várzea Grande e em alvos no litoral catarinense (Balneário Camboriú e Itapema) e no Rio de Janeiro.
O controle remoto da cela
Um dos pontos centrais revelados pela investigação da Draco é a manutenção do poder decisório de uma das lideranças da facção. Mesmo custodiado no sistema penitenciário estadual, o investigado seguia à frente do controle financeiro e das diretrizes disciplinares do grupo.
Para burlar a fiscalização, o detento adotou uma tática de despiste tecnológico: análises apontaram que um único chip telefônico vinculado a ele foi alternado entre sete celulares diferentes em um curto intervalo de tempo. De dentro da cela, saíam ordens diretas para cobrança de taxas, exigência de relatórios financeiros, gestão de planilhas e repasse de valores para subdivisões do crime.
Imóveis de luxo no litoral e uso de "laranjas"
A apuração demonstrou que a facção utilizava operadores externos e contas de terceiros pessoas que ostentavam movimentações completamente incompatíveis com sua capacidade renda para ocultar os lucros da atividade ilícita.
Essa engenharia financeira permitiu a aquisição de bens de altíssimo padrão, agora sequestrados pela Justiça:
Balneário Camboriú (SC): Um apartamento avaliado em R$ 6 milhões e uma casa em condomínio estimada no mesmo valor (R$ 6 milhões).
Itapema (SC): Um apartamento de luxo avaliado em R$ 3 milhões.
Cuiabá (MT): Uma residência de alto padrão no valor de R$ 1,5 milhão, além de três terrenos (avaliados em R$ 180 mil).
Veículos: Diversos automóveis que, somados, ultrapassam R$ 607 mil.
De onde vem o valor de R$ 15,3 milhões?
O teto estabelecido para o bloqueio de ativos financeiros não foi aleatório. A polícia encontrou planilhas contábeis da própria organização onde constavam dados expressivos: R$ 14,093 milhões classificados como valores "congelados" e outros R$ 1,231 milhão movimentados ativamente no período investigado. O somatório exato desses montantes (R$ 15,324 milhões) embasou o pedido aceito pelo Judiciário.
Por que "Replay"?
A operação é um desdobramento de ações anteriores da Polícia Civil (como a Apito Final, Fair Play e Tempo Extra). O nome Replay faz alusão direta à insistência da facção em reutilizar os mesmos métodos criminosos e tentar reorganizar suas finanças após sofrer baixas policiais.
Com o cumprimento dos mandados, a Polícia Civil busca estancar definitivamente a sangria financeira do grupo, recolher novas provas com a análise dos eletrônicos apreendidos e impedir qualquer tentativa de transferência dos bens restantes.
