Nova Fase no STF: Fachin assume Inquérito das Fake News e afasta Alexandre de Moraes da relatoria
Publicado em 10/09/2026 por Rádio Nova FM
Em uma guinada histórica na mais alta Corte do país, a presidência do Supremo Tribunal Federal decidiu avocar para si uma das investigações mais polêmicas e longevas da história recente do tribunal.
O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu uma reviravolta institucional nesta quarta-feira (9). O atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin, assinou uma portaria retirando o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do emblemático inquérito das Fake News e assumindo pessoalmente a condução das apurações. A medida desfaz o modelo original estabelecido em março de 2019, quando o então presidente do STF, Dias Toffoli, havia designado Moraes para o caso de forma direta, sem a realização de sorteio procedimento que viria a ser validado posteriormente pelo plenário.
A decisão de Fachin não anula o passado, mas impõe um freio de arrumação: o texto da portaria preserva integralmente todos os atos processuais praticados por Moraes ao longo dos anos. Além disso, o STF assegurou que as ações penais vinculadas ao inquérito que já contam com denúncias recebidas seguirão tramitando normalmente, sem retrocessos processuais.
A pressão da crise e o desfecho anunciado
A troca na relatoria acontece em um momento de alta tensão nos bastidores de Brasília e apenas cinco dias após o próprio Fachin vir a público defender o encerramento definitivo das investigações. Na última sexta-feira (04/09), o chefe do Judiciário já havia sinalizado que o contexto recente tornava urgente a necessidade de concluir o procedimento, que se estende por mais de sete anos.
O estopim para a intervenção direta da presidência recaiu sobre o recente embate envolvendo Alexandre de Moraes, o ministro André Mendonça e a Polícia Federal. O atrito escalou quando Moraes utilizou elementos colhidos no bojo do inquérito das Fake News para apontar supostos crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa na conduta de Mendonça durante as apurações dos casos Master e INSS.
Diante da repercussão e do desgaste institucional, Fachin interveio: determinou a extração da decisão de Moraes e de seus anexos do escopo do inquérito das Fake News, transferindo o material para um novo procedimento sob o controle direto da Presidência do STF. Com a manobra, a cúpula do tribunal busca distensionar o ambiente político e jurídico, abrindo caminho para uma possível conclusão de uma das investigações mais discutidas do país.
