Estados Unidos acusam Brasil de falha contra PCC e Comando Vermelho e exigem ações urgentes

Publicado em 17/09/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Documento enviado pelo governo de Donald Trump ao Congresso norte-americano classifica as facções brasileiras como uma ameaça à segurança global e aponta o país como centro do fluxo de cocaína; diplomatas avaliam tom político e seletividade.

Fonte: Foto Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em um relatório oficial enviado ao Congresso norte-americano nesta semana que o Brasil falhou no combate às principais facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). No documento, divulgado pelo Departamento de Estado, a administração americana cobra do governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva a adoção urgente de medidas enérgicas para enfrentar os dois grupos, recentemente incluídos pelos EUA na lista de organizações terroristas.

De acordo com o relatório, o governo brasileiro não estaria enfrentando o PCC e o CV na mesma medida em que outros governos do Hemisfério Ocidental vêm adotando ações consideradas corajosas para erradicar cartéis. A avaliação da Casa Branca aponta ainda que as facções criminosas do Brasil transformaram o país em um importante centro logístico para o fluxo global de cocaína.

"Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam", declara o texto assinado por Trump, que reforça o entendimento de que os grupos representam um risco à segurança mundial.

Repercussão e bastidores diplomáticos

Nos bastidores, jornalistas da GloboNews apuraram que diplomatas brasileiros interpretam o teor do documento como um reflexo do viés da política externa de Trump para a América Latina. A avaliação no meio diplomático é de que há um tom de seletividade por parte da Casa Branca, visto que o mesmo relatório faz acenos políticos a governos sul-americanos recém-eleitos que também acumulam falhas apontadas no combate às drogas, mas que mantêm alinhamento com a gestão norte-americana.

O relatório é um panorama anual entregue pelo governo dos Estados Unidos ao Legislativo para detalhar a situação do tráfico de entorpecentes no planeta.

Cenário internacional e cobranças a outros países

O documento também listou nações apontadas como locais de trânsito ou produção de drogas, englobando Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela (o Brasil não consta nesta lista específica).

Entre as nações citadas, o relatório destaca que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia falharam no último ano ao não cumprirem obrigações previstas em acordos internacionais antidrogas.

A Casa Branca também direcionou cobranças a países vizinhos da América do Norte:

  • Canadá: Os EUA exigem ações enérgicas para desmantelar laboratórios clandestinos de entorpecentes no território canadense.

  • México: O governo americano cobra providências severas contra organizações narcoterroristas que exercem domínio territorial no país.

  • China: Trump criticou Pequim e afirmou que, apesar de diálogos com o presidente Xi Jinping sobre o fentanil ilegal, a China precisa cortar drasticamente o fluxo de substâncias químicas utilizadas na fabricação da droga.

Por fim, o documento aproveitou para pontuar que recentes transições políticas na América do Sul abriram espaço para o que o governo norte-americano classificou como "oportunidades históricas de cooperação", citando avanços pontuais em países como Venezuela, Bolívia e Colômbia, embora ressalte que novos passos ainda sejam necessários.