R$ 1 Milhão sob Suspeita: Entenda a disputa de terra que incluiu ex-prefeito na Mira da Policia Federal

Publicado em 10/06/2026 por Rádio Nova FM

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Operação Gemini investiga se decisão judicial que favoreceu empresa ligada a Vilmar Giachini em Cláudia (MT) foi comprada por esquema milionário.

Fonte: Foto Por Reprodução


A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal, trouxe à tona os bastidores de uma guerra agrária que se arrasta há décadas no Nortão de Mato Grosso. O epicentro da investigação que envolve o ex-prefeito de Cláudia, Vilmar Giachini, e o desembargador Dirceu dos Santos é uma denúncia de propina de R$ 1 milhão envolvendo a posse da Gleba Santo Expedito.

Enquanto a defesa de Giachini alega que a ação é uma retaliação de invasores de terra, a PF apura um sofisticado esquema de direcionamento e venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A Origem do Conflito: Manejo Ambiental vs. Assentamento

A disputa judicial gira em torno de uma área adquirida em 1985, originalmente destinada ao manejo florestal sustentável pela empresa I. M. S. A., da qual o ex-prefeito Vilmar Giachini é procurador.

  • A versão da defesa: O advogado Ricardo Huck afirma que a área é de preservação federal e foi invadida duas vezes (em 2006 e 2011) pela Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito. Segundo ele, os ocupantes destruíram o projeto de manejo. A empresa venceu o recurso no TJMT para reaver as terras e aguarda os trâmites do Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir a reintegração de posse.

  • A versão dos trabalhadores: O presidente da Associação recorreu à Procuradoria da República em Rondonópolis. A denúncia aponta que as famílias assentadas haviam vencido a ação em primeira instância, mas que a decisão foi revertida no Tribunal de Justiça mediante o pagamento de propina de sete dígitos.

As Suspeitas da Polícia Federal: Manobra Jurídica e Articulação

O que transformou uma disputa de terras comum em um caso de polícia federal foi o rito processual do recurso no TJMT. O ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou as buscas com base em fortes indícios de fraude:

O Desvio de Competência: Recursos anteriores sobre a Gleba Santo Expedito corriam pelas Câmaras de Direito Público. No entanto, o recurso final acabou sendo redistribuído, de forma suspeita e fora das regras do Tribunal, diretamente para as mãos do desembargador Dirceu dos Santos, que deu ganho de causa à empresa de Giachini.

A PF aponta o ex-assessor do magistrado e o deputado estadual Faissal Calil como os supostos "articuladores estratégicos" e braços operacionais do esquema, responsáveis por intermediar, ocultar e circular o dinheiro da comercialização de decisões judiciais.

O Saldo da Operação e Próximos Passos

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais realizaram buscas na residência de Vilmar Giachini e apreenderam seu aparelho celular. A defesa do ex-prefeito minimizou a ação, garantindo que nada ilícito foi encontrado e que o cliente sequer conhece o desembargador investigado, embora admita interlocução política com o deputado Faissal.

A investigação da PGR e da PF continua analisando o material apreendido (incluindo celulares e documentos de outros empresários e advogados em Cuiabá) para mapear a rota do suposto suborno de R$ 1 milhão e identificar outros processos que possam ter sido "comprados" no estado.

Contrapontos: O deputado Faissal Calil negou veementemente as acusações e rechaçou a tese de que atue como operador de esquemas no Judiciário. A defesa de Vilmar Giachini aguarda acesso integral aos autos da medida cautelar para formalizar suas manifestações jurídicas.