Economia nos trilhos: Venda do VLT garante superávit de R$ 400 milhões no novo BRT de Mato Grosso
Publicado em 15/06/2026 por Rádio Nova FM
A polêmica transição do sistema de transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande ganhou um novo capítulo financeiro. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra) apresentou um balanço contábil que contesta as projeções da oposição e aponta para um cenário de saldo positivo aos cofres públicos. Segundo o governo, a venda dos vagões e componentes elétricos do antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) gerou uma receita de R$ 915 milhões, garantindo um superávit de quase R$ 400 milhões em relação aos investimentos feitos até agora no Bus Rapid Transit (BRT).
A manifestação da Sinfra ocorre após o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) acionar o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O parlamentar alega que o custo final do BRT pode romper a barreira de R$ 1 bilhão devido a contratos emergenciais, igualando-se ao orçamento do antigo VLT.
O Raio-X dos Investimentos do BRT
Para contrapor a tese de "explosão de gastos", o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, explicou que o planejamento foi fatiado em quatro contratos distintos para acelerar as obras. Do total de R$ 533 milhões já contratados, o Estado desembolsou efetivamente R$ 206 milhões até o momento.
A Sinfra detalhou a situação de cada lote para demonstrar a transparência do processo:
| Contrato / Fase | Objetivo do Lote | Valor Contratado | Valor Pago Até o Momento | Status Atual |
| 1º Contrato (Rescindido) | Pavimentação e infraestrutura das avenidas FEB, João Ponce de Arruda e CPA. | R$ 468 milhões | R$ 130 milhões | Rescindido por descumprimento de cronograma do consórcio. |
| 2ª Licitação | Conclusão da infraestrutura na Prainha, Av. do CPA e ligação com o Aeroporto. | R$ 155 milhões | R$ 76 milhões | Obras em andamento. |
| 3ª Licitação | Construção das 77 estações climatizadas do BRT. | R$ 120 milhões | R$ 0,00 | Em fase inicial (reformulações técnicas). |
| 4ª Licitação | Construção de terminais e do Centro de Controle Operacional. | R$ 128... milhões | R$ 0,00 | Contratado, aguardando início das obras. |
Entenda a polêmica das 77 estações
O principal ponto de fricção entre a oposição e o Executivo gira em torno da terceira licitação, voltada para as estações de embarque. O deputado Lúdio Cabral questionou o motivo de o orçamento do lote ter saltado de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões em um período de 75 dias.
A justificativa da Sinfra: O secretário Marcelo de Oliveira esclareceu que o valor original de R$ 68 milhões foi descartado porque a empresa concorrente foi desclassificada por falta de documentação técnica e financeira. Diante do certame fracassado, a Sinfra reformulou o projeto básico e adicionou melhorias estruturais de alto padrão, o que alterou o preço de mercado.
As novas estações contarão com:
Climatização completa;
Vidros com maior capacidade de reflexão de calor;
Portas automáticas;
Alteração e reforço no tipo de piso.
Próximos Passos e Fiscalização
Enquanto a Sinfra defende que a divisão dos lotes trouxe dinamismo e obedeceu estritamente aos princípios da legalidade e da transparência republicana, a representação da oposição aguarda uma definição jurídica.
O deputado Lúdio Cabral insiste que as futuras intervenções na Avenida Fernando Corrêa da Costa e a compra dos novos ônibus elevarão a conta final para além de R$ 1 bilhão. O parlamentar solicitou ao conselheiro do TCE-MT, Gonçalo Domingos de Campos Neto, uma auditoria detalhada sobre R$ 403,5 milhões em contratos que envolveram dispensa de licitação nesta atual fase do projeto.
