CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO ELEVA PREÇO DA UREIA E PRESSIONA CUSTO DA SAFRA EM MATO GROSSO, APONTA IMEA
Publicado em 11/03/2026 por Rádio Nova FM
A escalada das tensões no Oriente Médio já produz efeitos sobre o agronegócio brasileiro e vai impactar a formação dos custos da safra 2026/27 em Mato Grosso. Estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o agravamento do conflito na região e os gargalos logísticos no Estreito de Ormuz provocaram forte alta no preço futuro da ureia, com reflexos diretos sobre os custos da produção agrícola.
De acordo com o levantamento, a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo, gás natural e fertilizantes, elevou a incerteza sobre a oferta global, encareceu fretes e seguros marítimos e ampliou o risco de restrições no abastecimento. O bloqueio do tráfego na região já deixou embarcações retidas nas costas de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, agravando a pressão sobre o mercado internacional.
Os gráficos do estudo mostram um cenário ainda mais sensível para o milho. Em Mato Grosso, a comercialização de fertilizantes para a safra 2026/27 chegou a apenas 5,95% no período analisado, bem abaixo da média histórica para o momento. Como as aquisições costumam ganhar ritmo entre o primeiro e o segundo trimestres, a disparada dos preços internacionais atinge o produtor justamente no começo da janela de compra, o que pode elevar o custo da safra como um todo e até adiar parte das negociações.
Na soja, o sinal de alerta está concentrado nos fertilizantes fosfatados. O Brasil importou, em 2025, 40,01% desse tipo de insumo de Egito e Israel. Em Mato Grosso, a dependência é ainda maior, já que os dois países responderam juntos por 58,91% das compras estaduais de fosfatados. O cenário amplia a exposição do produtor a choques de oferta, atrasos logísticos e custos mais altos na formação da próxima safra.
Com isso, parte relevante do planejamento da próxima safra tende a ser construída em um ambiente mais caro e volátil. Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, têm peso maior no custo do milho, enquanto os fosfatados exercem impacto mais relevante sobre a soja, cultura mais sensível a esse tipo de insumo na formação da lavoura.
Para o coordenador de Inteligência Agropecuária do Imea, Rodrigo Silva, o risco vai além da alta pontual da ureia. “O Estreito de Ormuz ocupa posição estratégica no escoamento de petróleo, gás natural e no transporte de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. Com navios retidos, seguros marítimos mais caros e risco de restrição de oferta, o agronegócio brasileiro pode enfrentar inflação no custo de produção e pressão sobre as margens”, afirma.
Na avaliação do Imea, a combinação entre dependência externa, gargalos logísticos e alta dos preços internacionais compromete a previsibilidade do planejamento agrícola e tende a reduzir a rentabilidade das próximas safras. Mantido o atual cenário geopolítico, Mato Grosso deve entrar no ciclo 2026/27 com insumos mais caros, maior pressão sobre os custos e menor margem para o produtor.
